21 de maio de 2011

Quando a mão dele nos leva.

As travessias e travessuras da vida,
as idas e vindas são sempre idas ao horizonte.
A vida é uma predestinação divina, no entanto, há a falta de razão humana que nos incube a criar elos de amor.
Qualquer perda alheia, é uma perda própria.
Em contrapartida, um ganho próprio que expande o coração a fim de imprimí-lo todos os momentos de outrora viventes e , assim, fazer a nostalgia tornar-se presente. A consolação da dor é, pois, o acúmulo de todos os relicários.
Eis a vida, meus senhores:
Uma linha tênue entre os grãos de areia ao blue das nuvens.
Eis o fim desta:
Uma linha eterna de lembrança e puro amor.






Nunca pudera imaginar, quiçá sentir, o que é uma despedida,
não digo desta em que se entra no avião e acenos resplandescem da janela deixando marcas ao vento. Digo do adeus da vida, digo da benção dita ao pé da cama hospitalar e da última troca de olhares adornada por lágrimas e suspiros últimos delirantes.

...

Tu lutaste com o próprio ar pela alegria da vida , deixando a lição da perseverança.
Todavia, as cortinas brancas balançam com o soprar do chamado do Senhor, abrindo-se para a tua chegada na paz, onde a plenitude imperará para o teu desfrute.

10 de maio de 2011

"Vieste com a cara e a coragem com malas, viagens, prá dentro de mim, meu amor"

"Quero fazer contigo o que a primavera faz com as cerejeiras".



(Pablo Neruda)




Quero oferecer a ti a doçura do amargo da cereja,
Quero tocar-te com a rubrica intensidade e delicadeza,
Quero ser a fruta sua sobre a sobremesa
que enfeita a textura de seu paladar com pura regalia
e a qual guardarás, ternamente, sob às setes chaves da promessa
do amor
de infintas primaveras
.
(Mariana Lopes)

8 de maio de 2011

O Amor, o amor, o amor...

...É UMA CERTEZA DIVINA.

(Mariana Lopes)

Dentre todas, a mais bela Flor

Ela me dissera que queria ter nascido uma flor,
Só para ser admirada.
Coitada, mal ela sabia que era
a mais delicada dentre as rosas.
Sua cor é alva, mistura de todas as matizes,
Resplandesce alegria, doçura e bondade.
Eu? Uma semente gerada por essa beleza,
Quiçá um dia fazer-me de tal realeza,
de tal candura.
És a mais bela dentre todas as flores,
A mais bela mãe,
Puro amor, pura doação.

Amo-te muito, além do que qualquer palavra poderá um dia explicitar!
Singelamente,
de sua filha, Mariana.



Felicitações a todas que receberam esse dom de Deus!

25 de abril de 2011

"Não acabarão nunca com o amor...

...nem as rugas,
nem a distância.
Está provado,
pensado,
verificado.
Aqui levanto solene
minha estrofe de mil dedos
e faço o juramento:
Amo
firme,
fiel
e verdadeiramente."
(Vladimir Maiakovski)



"Amores serão sempre amáveis, futuros amantes, quiçá, se amarão sem saber" (Chico Buarque de Holanda)




Nunca ousei prender-me a citações de autores distintos a mim. Todavia, frente a turbulências emotivas, frente a tantos gritos perdidos ao vento, frente a lentidão de minhas pequeninas mãos, eis aí uma autêntica forma de expressão. Deixo apenas a confissão do meu medo do claro e do escuro, deixo apenas o meu silêncio que tanto precisava. Deixo, apenas e tão somente, meu constante juramento à conjugação do amor. (Mariana Lopes)

24 de abril de 2011

Encontros e despedidas

"A rasura que foi feita, foi perfeita na sua hora"




A cada desenlaço choramos mares, entorpecemo-nos, atrofiamos músculos a fim de enleá-lo consoante nossos anseios. No presente, prendemo-nos no passado com o puro objetivo do retorno, eterno retorno. A dor de uma paixão inoportuna é trasbordar-se em pura saudade, em sonhos irrealizáveis, ora, quanto mais impossibilitados, mais devaneamos, mais desejamos. Todavia, qual o objetivo humano senão vivermos só de amor?
Morrer em si de tanto amar é o primeiro sintoma do abandono que desencadeará na esperança e, como conseqüência, na sobra da falta do ser amado, idolatrado.
Dizem que quando estamos apaixonados cegam-se nossos olhos. Mentira! O coração é a visão da alma. Quando estamos desiludidos, perdidos no caminho desencontrado, sim, nossos olhos tampam-se com o martírio da solidão. E a única voz entoante: retorno, retorno, retorno (dele)...



Mas há o tempo. Enganam-se ao pensar que é o remédio para a alma. É a lição da despedida. Num dia atípico ao amanhecer, você, simplesmente, amarra todas as vivências encarceradas em balões de cores que você mesmo pintou e os solta. Da terra, com os pés no chão observa pontos resplandecentes de maturidade sobre o azul.
Todavia, não pensem que se cravar no chão é o começo de uma nova vida na mesma idade, é apenas o início de um fim- pricípio da partida.
Pois, assim, é a vida meus senhores: o eterno retorno. Há a rasura que combina perfeitamente com a origem da composição e quando, finalmente, desvencilhamo-nos de algo, algo já existe e os pés sobre nuvens já dançam. É o eterno compasso do amor que da despedida se faz o encontro.
(Mariana Lopes)

21 de abril de 2011

Raios desentendidos


A moça de cabelos não mais movidos por ventos de girassóis, caminhava pela rua às cansadas, entre vitrines e maniquins, quando deparou-se com um espelho e indagou com certa gota de ultrage:
_ O que são essas olheiras que tanto penumbram minha alma e aprofundam os oblíquos traços delineantes de meu rosto, já não tão singelo?
_ Não olhes para mim, querida dama, sou apenas reflexos de raios desentendidos. Olhes para ti e entenderás- entoou o espelho.






Com os olhos fechados, sorriu.

(Mariana Lopes)

Não mais que quatro meia-vidas


Aquela Senhora de quatro meia-vidas, de juventude lendária, cujos traços estavam sacramentados por cada poeira incubada em sua pele, segurava o rosário com um gesto tão pueril como se aquelas fossem uma de suas últimas horas de ar . Mirava cada pedra como se em suas mãos chumbadas de rugas estivessem cinquenta dias cristalizados. Não apelava por mais vivências, nem rogava por sonhos irrealizados, apenas, chorava pela vida já vivida.

(Mariana Lopes)

15 de abril de 2011

"Sinto a falta dele ...

...como se me faltasse um dente na frente: excrucitante"
[Clarice Lispector]





Ontem traí a mim mesmo. Fui dormir pensando em ti.Esqueci por um momento tentar te esquecer e te quiz. Quis-te em cada segundo dos meus sonhos e ainda te quero em cada milésio da minha vida. Puro sintoma de saudade.
Acabei caindo da cama,num trépido barulho da noite, acordei atônita comigo e mais um delírio de paixão dominava-me. Suava frio de ausência. O sangue que circundava meu corpo adornando-o de vida, incomodava-me como se houvessem grãos de areia transbodando pelos meus glóbulos, raspando em minha pele umidecida.
Custei a acostumar-me, não eram grãos de areia, meu bem; todavia, resquícios de ti que, ainda, preenchem-me.

(Mariana Lopes)

...Confesso que me faltam dentes!

3 de abril de 2011

Cadê o brilho?

Deparar-se com olhos opacos é o sinônimo da saudade que ronda uma alma solitária. É despossuir-se daquele brilho resplandescente e daquela calmaria estampada em seu coração quando o faz de conta que te amo, ainda, era uma convicção indubitável.
Saudade é arrumar a mesa para o café e imaginar-se colocando duas xícaras sobre esta e servindo,esmeradamente, aquele pedaço de bolo quente do forno feito para ele. Saudade é ver as lágrimas hibridar-se às gotas de chuva daquele domingo nublado. Saudade é sentir o abraço apertado e caloroso daquele dia frio por meio da sombra esvaída.
Os dias passam, o amor deposita-se sobre você mesma, as carícias guardam-se a sonhos e esperanças, o chá torna-se o seu calorífero. Os dias passam e você percebe que a sua ausência não doeu no eu dele. Como tal, você também percebe que chegou a hora de, finalmente, sorrir para o espelho.
(Mariana Lopes)





'Nunca mais se viram... e ela nunca mais foi a mesma' .

30 de março de 2011

Veia por veia

Olho para o Sol e rogo. As lágrimas constantes emboloram meus olhos. O coração apouca-se a cada passar na teima de amar uma ingrata paixão . Como se pode lutar contra machados e escudos a pedras? Essa é a batalha da esperança e da saudade contra o tempo. Se pudessem, minhas mãos já o teriam apartado veia por veia. Afinal, jogara-me pela janela subindo os próximos degraus do edíficio da vida e eu ali caída, diminuta de mim, abaixo de qualquer razão, abaixo de qualquer contentamento, fiquei...
...Sozinha ao luar.
(Mariana Lopes)


















"Se tu queres mais saber a fonte dos meus ais
Põe o ouvido aqui na rósea flor do coração
Ouve a inquietação da merencória pulsação"
[Marisa Monte]

25 de março de 2011

É.

Sabem o que mata um homem? A esperança.
Encarcera-o no passado.



(Mariana Lopes)

"Desculpe-me o mesmo gesto, meu constante gesto insano que por mais que a mente negue, o coração ele marcou como a lógica dos fatos que eu traí a todo instante"

25 de fevereiro de 2011

Branca Escurecida

A entrada cheirava a paz. Era um lugar tranquilo, o "bem-vindo" não era dito, mas sentido. Os cômodos de metros reduzidos transmitiam o acolhimento dos abraços enamorados. As paredes, coloridas de um verde folha, emanavam à natureza e os quadros antigos adornavam-as à moda rústica. Cortinas eram desnecessárias, afinal, o Sol fora sempre bem recebido com seus raios impetuosos refletidos nos móveis empoeirados. O vaso repousante sobre a mesa de jantar, que ficava ao lado da sala e em frente ao quarto, tinha uma textura amorosa, suas rosas vermelhas exalavam paixão; talvez, fosse o ser mais vivo que preenchia o vazio da felicidade daquela casa branca escurecida.

...


Enquanto fechava a cerca, seu eu perdido tinha esperança de que uma voz estimada ecuasse lá de dentro- de onde todo a beleza do mundo se esconde- e a reencontrasse. Porém, a única coisas que ouviu foi o som harmonioso e melancólico do molho de chaves.

(Mariana Lopes)

23 de fevereiro de 2011

Seja infinito!



Só espero que, cada vez que meu coração acelerar apaixonadamente, não seja para o acalanto de uma marcha finita.
(Mariana Lopes)

20 de janeiro de 2011

Do vinho para a água

De repente, vi o vinho transfigurar-se em água. Eu olho aquele copo e me recuso a bebê-lo. Sinto um gosto que não me agrada. Estampo anúncios, faço telefonemas, tudo em busca do vinho. Porém, rejeita qualquer contato. O vinho virou água e não percebeu. Voou para o longe e não sentiu ausência. O conhecido torna-se desconhecido. Mas, aí, eu tropeço. Caio de um andar além das nuvens. Tudo virou e revirou em mim. Do avesso tentei equilibrar-me sobre a linha tênue da vida. Maus sentimentos são sempre os primeiros a me invadirem. Fui afundando. Pedi socorro. Num momento súbito de certeza, estendi a mão para aquela que seria a mais conhecedora de mim, para o sinônimo de confiança. Foi quando me surpreendi: A parábola fez-se invertida. Minha mão foi untada junto aos meus pés e, como se não bastasse, pequenas pedras marcaram meu corpo. Não doeram, confirmo. O que me incomodou foi à desilusão de uma relação criada só por mim. Com o tempo, a gente passa a se acostumar com os distanciamentos. Familiarizar-se com as metamorfoses alheias. Somente um ponto de consideração restado por aquele vinho que se tornou um líquido inodoro e insípido; além de algumas lágrimas- pois, ora, qual a finalidade da água senão nos saciar e estancar gotas dos nossos olhos?
Num passe de felicidade, vejo que o telefone vive e que há lembretes, mas estes, agora, destinados a mim. Atendo-os como um sinal de existência. De uma forma amigável, uma voz ecoa preocupada: amor-próprio, querida! Tenha amor-próprio. Deixei o vinho e fui colher as minhas uvas, embriagada.
(Mariana Lopes)